terça-feira, 28 de setembro de 2010

Já é tarde

"Perdoa, amor, se levei tempo demais deixei uma porção de coisas pra trás
Errei em só olhar pra mim. Meu bem, nunca te vi assim nem só de amor se vive uma relação. Cada detalhe que perdi foi um grão".

Era tarde já, ela perdia a coragem pouco a pouco. Seus dedos estavam cansados de tanto apertar os mesmos botões. Nada mudava, as horas pareciam não passar, a madrugada já aparecia, e ela deitada, com o olhar fixo ao teto se perguntava, o que faria?
Era necessário fazer isso, e agora. Algo muito impossível de se acreditar, de ser feito, mas era preciso.
Ele não ligava. Já passara à hora de rotina que ele ligava. Parecia que ele já sabia o que viria a acontecer. Ela não queria mais aquilo. Ela precisava falar.
Seu coração batia mais rápido, muito rápido. Suas mãos suavam. Parecia que tudo acontecia ao mesmo tempo. “Tenho que por fim em tudo isso”.
Doía. Simplesmente isso. Era a única coisa que ela podia relatar naquele momento. Com o telefone nas mãos. Um susto. O telefone tocava! Até o som dele parecia mais triste. Era inevitável.
Um simples “alô” dele. Dela um dolorido e seco “acabou”. Ela não queria explicar, não queria entender. Ela tinha seus motivos, ele também tinha os seus. Porem nada mudaria essa situação.
Ela o matara. Não só isso, mas também matou dentro de si um sentimento, puro e verdadeiro.
Não tinha mais volta.
Ela pagaria caro por tudo isso. Pagaria sozinha, com dor e angustia por um bom tempo. Só que ela sabia que algo melhor estava preparado pra ela. Naquele misto de sentimentos seu coração ao mesmo tempo preso, se sentia livre.
Seus olhos, de cansaço e com o peso das lágrimas já começavam a se fechar. Ela adormecia aos poucos, com as lágrimas ainda, porem com um semblante de paz. Um sorriso.
“Livre”- repetia baixinho.

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